Um cenário matinal (Romance de parede)
Tradução: Amanda Canavezes Salles
Revisão e cotejo: Felipe Chaves Gonçalves Pinto
HTML: Felipe Chaves Gonçalves Pinto
Texto original: "Asa no ikkei (kabe shôsetsu)". Chûô kôron, no. agosto, 1931. Disponível em: Internet Archive. Acesso em: 31/10/2026.
Este texto está licenciado por: Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-SA 4.0).
Nota: O texto original passou por uma série de censuras quando da sua primeira publicação. Os "X" que aparecem na tradução indicam esse fato.
Ai, será que vou me atrasar?, droga! Eu andava apressado.
O céu logo cedo pela manhã se expande em seu tom cinza azulado e , de algum lugar distante, o som do apito a vapor vem ecoando serenamente. O andar hesitante dos colegas que se deslocam para a fábrica tem a postura curvada, de impressão sombria. Ultrapassei eles, eu estou com pressa, olho constantemente para o relógio de pulso. Aproveitando o movimento, levo o braço ao rosto para esfregar com força meus olhos sonolentos e com remela ainda grudada.
Excelente, deu tempo. O pequeno Inoue vinha da direção do rio. Como prometido. Nos encontramos em cima da ponte de madeira. Inoue, que estava fazendo uma cara estranhamente amigável, sorriu, colocou a mão na aba do chapéu e fez uma saudação. Na outra mão segurava o pote da marmita embrulhado e uma grande sombrinha feita de bambu e papel, impermeabilizada com óleos vegetais.
“Será que vai chover?”, entendo, o canal está borbulhando e jorrando espuma cinza escuro. Isso é bem um sinal que vai chover.
Seguimos andando juntos em direção à fábrica dele.
“Desculpe pelo outro dia” — com essa, era a segunda vez que me encontrava com Inoue.
“Então...”, ele disse enquanto sugeria com os olhos que havia algo a tratar. “Sim”,respondi e toquei com a ponta dos dedos o embrulho da XXXXX que tinha guardado no bolso interno do quimono. “Vai ficar tudo bem, né?”
“Tudo certo,se isso for cedo assim, no vestiário eu dou um jeito em XXXXXX.”
Ia entregar para ele, mas desde antes a gente estava sendo observado por um cara que estava vindo, e por isso, disse em voz baixa: “onde você vai botar isso?", “É né... Humm”
“Como é uma XXXXX, vai dar uma aumentada boa de tamanho, hein.”
“Uhum, vou embrulhar no pano da marmita.”
Inoue retirou o pote de alumínio do pano e virou de lado empurrando para dentro do bolso interno do kimono.
“O caldo não vai vazar?”
“Não se preocupe, tá tranquilo, é ameixa-azeda em conserva, então tá tudo bem.”
“Ei, ei, a ameixa-azeda vai estragar o alumínio, hein.”
“Que cara chato, ela tá colocada bem no meio do arroz, tá bom?” disse ele rapidamente enquanto embrulhava em cima do joelho levantado a XXXXX no pano da marmita de forma eficiente.
“Consegui uma marmita horripilante.”
“Toma cuidado com o guarda.”
“Tenho boa reputação, como você sabe.”
Inoue é um funcionário de nível médio de gestão do sindicato da empresa. É um jovem promissor que é apreciado tanto pelos superiores como pelos subordinados. Posso ficar relaxado. Fazer com que ele fizesse XXXXXXX, foi uma boa escolha.
“...Então, também vou precisar que você arranje um bom jeito para lidar com a XXXXX naquele outro local.”
“Esse ai já vai ser mais complicado”, disse ele coçando a cabeça. E surpreso, olha para cima. Eu também, atraído por isso, olhei para o céu. Droga, finalmente começou a chover. “Eu realmente não tenho muito jeito com as operárias.”
“Mentiroso, vamos, anime-se e faça isso pra gente.”
“Tá, vou fazer, vou fazer. Me poupe dessa cara medonha. Se der tudo certo, até a próxima vez; vamos fazer uma XXXXXXXXX direitinho.
Um único caminho reto. Ao virar à esquerda, assim que atravesso o pequeno canal, como esperado, consigo ver uma empresa de sabonetes, é a fábrica de Inoue.
“Mas”, disse ele, “não achei que conseguiriam fazer uma XXXXX com a galera do XXXXXX tão cedo... extraordinário, não é só eu, mas outros também, estávamos esperando por isso faz muito tempo”.
“Galera do XXXXXX” eu ri um pouco da expressão. Consigo imaginar várias coisas sobre o estado de espírito das pessoas jovens e saudáveis da ala da direita do sindicato.
Ao me aproximar da parede de tijolos da empresa, consigo vê-la com clareza. A chuva começou a cair calmamente.
“Na próxima”, eu disse, pois já precisava ir, “podemos nos encontrar depois de amanhã na parte da manhã, no mesmo horário, na ponte de madeira, o que acha?”
“Opa!”, respondeu Inoue. “Depois de amanhã na parte da manhã não dá”
“Não dá?” Disse repassando mentalmente minha própria agenda.
“Não posso por causa do XXXXXXX, sabe?”
“Exame?”
“Sim, aquele do XXXXXXX.”
Oh, eu fiquei impressionado e olhei para o rosto de Inoue. Verdade, Tinha XXXXXX desse tipo. Tinha esquecido completamente.
“Nesse caso, você tem 21, né”
“Isso, pode ser que eles me peguem, quer dizer, não tenho problema algum em meu corpo, afinal, Uhum.”
Ele riu concordando. “Não estou me importando se eles acabarem me pegando, sabe”.
Verdade, quando um homem vira adulto, coisas como o XXXXXXXX, acabam tirando sua XXXXXXXXX. E o cara forte, não importa as circunstâncias, precisa ficar por dois anos como XXXXXXX nas instalações do XXXXXXX. E quanto a mim?, eu também tenho exatamente a mesma idade que ele, sou um jovem que fez 21 anos.
“Em contextos normais” teria que XXXXX ao XXXXXXX, mas… Mas, eu estou numa posição em que sequer o XXXXXX existe.
Estou totalmente isolado desses assuntos do dia a dia tais como XXXXXXX. Por que, XXXXXX, segundo eles, é ilegal! Pois eu, entre todos nós, sou justamente a pessoa que vem fazendo XXXXXX para XXXXXX.
Emoções momentâneas. Eu, porém, logo disse:
“Se é assim, em 3 dias, à noite, 8 horas, na ponte de madeira.”
“É, vamos fazer assim.”
E quando eu estava indo, ele me disse: “Ei, pode pegar esse guarda-chuva aqui, não tem nem nome nem nada”. Será que a chuva vai continuar hoje o dia todo?
25 de junho