Kaneko Fumiko:
uma breve introdução
Texto por: Felipe Chaves Gonçalves Pinto
HTML: Felipe Chaves Gonçalves Pinto
Primeira publicação: Pinto, F.C.G. Kaneko Fumiko: uma breve introdução. arroz e flores , vol. 1, no. 1, pp. 19-41, 2024. Disponível em: Arroz e flores. Acesso em: 18/12/2025.
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Kaneko Fumiko foi, durante muito tempo, relegada a um esquecimentos que, julgo, é pouco justificado dado o volume e impacto de sua produção e a condição extraordinária em que foi majoritariamente produzida. Suzuki Yûko (2013: 385), por exemplo, diz que “a maioria das pessoas sequer conhecem o nome de Fumiko. Hane Mikiso (1988: 90), por seu lado, recorda que “Kaneko foi praticamente ignorada por seus compatriotas até os anos do pós-guerra”.
A situação em que certas figuras históricas (principalmente as marginais) são relegadas é dinamizadora de estudos igualmente tendenciosos. Tratando-se de Kaneko, no entanto, a figura, no campo de estudos biográficos, altera-se sutilmente. Isto é, as principais fontes de validação biográfica da autora são os escritos de próprio punho, principalmente sua autobiografia. E talvez seja exatamente por isso que não se encontre tantas variações nas narrativas que fazem sobre a vida da autora.
Assim, quanto a sua primeira infância e boa parte de sua curta vida adulta, há um relativo consenso com base nos escritos da própria autora. Apesar de que, mesmo assim, informações que não correspondem às deixadas pela autora seguem sendo mobilizadas. Mas isso já é outro assunto. Registro somente que ainda há muito a se investigar neste sentido.
De todo modo, apesar da relativa estabilidade da narrativa da vida da autora, pontos conflituosos, contudo, ainda existem. Os mais perceptíveis são os que emergem das interpretações de certas declarações e/ou possíveis atos de Kaneko. E, talvez, o mais emblemático seja a própria condição em que a morte de Kaneko se deu.
A causa de morte da autora é oficialmente registrada como suicídio por enforcamento. Mas, apesar de “a data, hora e meios de suicídio serem convencionalmente tidos como conhecidos, na verdade eles não são claros” (Yamada, 1996: 237). A narrativa mais aceita acerca da morte da autora é a de que ela teria, após um longo período de recusa em realizar qualquer trabalho no presídio, solicitado materiais para fiar e tramar cânhamo em sua cela e, com uma corda que ela mesmo teria feito, se enforcaria no dia 23 de junho de 1926 (Setouchi, 1975: 338). Contudo, essa informação é baseada no obituário fornecido pela autópsia da prisão que, em última análise, não descrevia com tantos detalhes a forma como Kaneko teria se matado, limitando-se apenas ao registro factual que apontava para um suicídio por enforcamento.
Não obstante, a morte de Kaneko também não foi anunciada logo que aconteceu. Entre a data da morte e seu anúncio à família, ao advogado da autora e à mídia teve um espaço de tempo bastante considerável para a época e para a relevância que a autora possuía enquanto figura pública que tinha sido condenado pelo Crime de Grande Inconfidência. As narrativas acerca da forma como a autora teria morrido também não eram consenso e geraram um burburinho na mídia daquele tempo. E, principalmente, é difícil ignorar a possibilidade de que Kaneko possa ter sido, a bem da verdade, “suicidada”> por alguém na prisão.
Apesar de toda a obscuridade por detrás da morte da autora, levando em conta as próprias declarações que Kaneko havia dado e o seu histórico, a tese que parece ser melhor aceita é a de que Kaneko realmente teria tirado a própria vida. As condições em que isso aconteceu, os detalhes que muitas fontes dão, no entanto, são matéria de pura e simples especulação e espetacularização de sua morte.
Indo em uma direção diametralmente oposta, outro ponto que acaba gerando bastante debate é a idade da autora. A confusão é compreensível já que Kaneko só foi devidamente registrada aos oito anos de idade. As fontes variam bastante ao ponto de, em um mesmo livro, a autora ter como data de nascimento o ano de 1902 e o de 1903. A variação é tão grande que, para alguns, a autora teria nascido só em 1906, ou seja, teria 20 anos quando veio a falecer. As fontes mais confiáveis, no entanto, apontam como data de nascimento o dia 25 de janeiro do ano de 1903. Esta data teria sido confirmada em ocasiões diferentes pelos progenitores da autora que não se encontravam há décadas (Yamada, 1996: 13-16).
Como último exemplo de divergência interpretativa, cito a maneira que a indumentária com que Kaneko apareceu em seu julgamento foi interpretada pelos seus comentadores. Enquanto existe a teoria de que Kaneko teria entrado na corte com um vestido de noiva, há também a hipótese de que ela trajasse uma roupa cerimonial coreana de cor branca. Mas ainda há uma terceira suposição que simplesmente propõem que Kaneko estava vestida com uma roupa branca e de origem coreana, nada mais nem nada menos do que isto. Raddeker recorda muito apropriadamente que essas interpretações são uma maneira sutil, mas efetiva de “descrever sua morte como um sacrifício por seu marido e pelo país dele” (1997: 66), o que, na realidade, parece ser incompatível com a figura que a própria Kaneko pareceu criar para si. É mais plausível acreditar que “talvez ela quisesse mostrar principalmente seu desgosto pelo Estado imperialista japonês, rejeitando a nacionalidade japonesa” já que é “difícil imaginar Fumiko afirmando qualquer nacionalidade quando ela já havia insistido que a luta pela independência coreana não era dela” (Raddeker, 1997: 66). No mais, “seja o que for que Fumiko quis dizer com tais atos aparentemente simbólicos, a imagem da ‘esposa nobre e auto-sacrificial’ é acima de tudo uma construção obviamente guiada por uma noção de gênero e imaginativa dos outros” (Raddeker, 1997: 66) e, portanto, deve ser tratada com o devido cuidado que este tipo de interpretação por si só exige correndo o risco, se não o feito, de propagar ainda mais desinformações.
É necessário também apontar aqui a aparente falta de aprofundamento em questões mais formais por grande parte dos interpretadores dos textos da autora. Muita coisa se perde quando, ao olhar para um texto, não se leva em conta as condições em que este foi produzido. É imprescindível, portanto, olhá-lo também no que ele carrega de social. É sintomático que os comentadores e biógrafos da autora não tenham, por exemplo, levado em conta ou se perguntado “o que ela [Kaneko] quis dizer ao responder à pergunta do juiz Tatematsu sobre como ela chegou ao niilismo com uma detalhada história de vida – e então, por sugestão dele, seguir com uma versão escrita ainda mais detalhada” (Raddeker, 1997: 150). Versão escrita essa que tomou a forma da autobiografia da autora. Raddeker (1997: 150) ainda registra que:
Uma coisa que ela [Kaneko] estava fazendo era dizer a figuras de autoridade, e não apenas a juízes e procuradores: “Foram vocês quem me fizeram assim!” Ela ilustrou seu ponto sobre o quão opressivamente desigual era a sociedade do Japão Taishô ao usar sua própria experiência de vida como prova; era uma das poucas armas contra o Estado e a sociedade disponíveis para ela após sua prisão em 3 de setembro de 1923.
Desta maneira, é grave a falta cometida por uma apreciação pouco cuidadosa acerca das condições que possibilitaram a escrita da autobiografia. O texto não surgiu só porque a autora quis escrever, tomada por uma espécie de iluminação ou devaneios burgueses, sua autobiografia, ele surgiu também (e talvez principalmente) a partir de uma sugestão do juiz de seu caso e como arma discursiva que a própria Kaneko fez questão de utilizar.
Nani ga watashi wo kousasetaka (“O que me fez ser assim?”, ou “O que me fez fazer isto?”) é um ataque direto, cru, consistente e consciente de seu poder ao conceito de “bem-estar” difundido pelo estado japonês da época. É um ataque direto a instituição familiar e, também, ao império japonês que, metonimicamente, era denotado também como outra instituição familiar. Mas um ataque que surge durante um julgamento que tem como horizonte possível a própria execução. Execução essa com que a própria autora não parecia muito preocupada.
De todo modo, o que gostaria de sublinhar aqui é a relevância dos aspectos por detrás da escrita da autobiografia de Kaneko: textos, seja lá quais sejam, não surgem do nada.
Mas ainda fazendo as vezes de um parêntese, recordo que os pilares do estado japonês daquela época eram o serviço militar e a educação infantil obrigatória. Ambientes esses que serviam de palco para a difusão dos ideais que eram caros ao Japão daquela ocasião. Consequentemente para Kaneko, que era uma menina que não tinha um registro de nascimento, esses pilares não significavam muita coisa (Tanaka, 2020: 209). Kaneko foi efetivamente excluída de toda e qualquer pretensa assistência oferecida pelo poder estatal. É também com base nestas experiências que Kaneko vai criar sua própria narrativa de vida que assumem o papel de uma espécie de resposta aos questionamentos do juiz de seu caso acerca do que a teria levado ao niilismo. Os caminhos (discursivos e concretos) que a autora trilhou são bastantes interessantes e permanecem atuais e em sincronia com as inquietações de boa parte de nossa, para ficar em casa, juventude brasileira. Mas isso já é um outro assunto que, infelizmente, não tratarei aqui.
De todo modo, Kaneko foi uma instigante pensadora orgânica japonesa. Uma análise filosófica mais aprofundada de seus posicionamentos e de sua formação seria bastante relevante, e fica aqui o convite àquelas pessoas que se interessarem.
Kaneko é uma força de resistência e rebeldia que, acredito, carece de atenção. Entregue a mais profunda miséria, conheceu com especial intensidade o abandono estatal em sua própria pele e, mais tarde, experimentou também a força punitiva deste mesmo poder. É dessa perspectiva que compôs sua obra. Kaneko tem muita a compartilhar conosco e, creio, há muito que podemos apreciar e aprender com Kaneko. Fica aqui a minha pequena contribuição para a disseminação da voz da autora.
Leiam Kaneko!
***
A seguir, anoto uma breve biografia da autora.
Kaneko teria nascido em 25 de janeiro de 1903, em Yokohama, como filha mais velha de Saeki Fumikazu e Kaneko Kikuno. Seus pais não eram legalmente casados e a autora também não possuía um registro de nascimento legal.
Em 1908, quando contava cinco anos de idade, seu irmão mais novo, Takatoshi, nasceu. Nessa época a irmã mais nova de sua mãe, Kaneko Takano, passa a morar com a família. Kaneko Fumiko não pode, apesar de ter atingido a idade necessária, frequentar legalmente a escola por não ter um registro de nascimento. O pai da autora passa a viver com Takano, irmã mais nova da mãe e, logo depois, saíram de casa, já como um casal, deixando Kaneko Kikuno, Fumiko e seu irmão Takatoshi para trás.
Ainda por volta deste mesmo ano, a mãe da autora teria tido relacionamentos com alguns homens com quem viveu junto durante um tempo. Entrementes, o pai da autora volta para buscar o filho mais novo, Takatoshi, para ir viver com ele. A autora frequenta por um curto período a escola por intermédio da insistência de sua mãe com as instituições para que aceitassem sua filha que não tinha registro de nascimento.
No ano de 1910 a Coreia é anexada ao Império japonês e no ano seguinte Kan’no Sugako e mais onze revolucionários foram executados em decorrência d’O Caso de Grande Inconfidência.
Ainda no ano de 1911, aos oito anos de idade, mãe e filha vão para a vila natal de Kobayashi, o então atual companheiro de Kaneko Kikuno, em Yamanashi. Durante a estadia na vila a autora também frequentou a escola que ficava a cerca de quatro quilômetros de sua casa. Na primavera do ano seguinte, pouco depois de sua irmã mais nova, Haruko, filha de Kobayashi e sua mãe, nascer, seu tio materno veio buscá-las para irem consigo para a vila natal de Kaneko Kikuno. A irmã mais nova fica com a família de Kobayashi e Kaneko Kikuno e Fumiko passam a viver com a família materna.
A avó paterna de Fumiko, Saeki Mutsu, veio da Coreia, então colônia do império japonês, para buscar a menina para que ela se tornasse filha adotiva de sua filha mais nova. É só então que Kaneko Fumiko finalmente é registrada. A avó materna da autora registrou-a como sendo sua quinta filha. Nisto, legalmente, Kaneko Fumiko tornou-se filha de seus avós, irmã de sua mãe e cunhada de seu pai, então casado com sua tia que, legalmente, era sua irmã. A autora partiu para a Coreia no mesmo ano.
No ano de 1913, quando a autora tinha dez anos e já vivia na Coreia sob os cuidados dos familiares paternos que, naquela ocasião e em decorrência do casamento da filha mais nova da matrona Saeki Mutsu, assumiam o sobrenome de Iwashita, a autora passou por diversas experiências de maus-tratos. Ela continuou os estudos básicos na Coreia. Pouco após sua chegada assumiu completamente as incumbências de empregada da família Iwashita.
No verão do ano de 1916, quando contava treze anos, a autora, após incontáveis episódios de violência e maus-tratos, tenta cometer suicídio, mas desiste da ideia. No ano seguinte termina o segundo fundamental e, ao contrário do que haviam prometido, não permitem que ela continuasse estudando e, nisto, Kaneko passa a ser a empregada da família Iwashita por tempo integral.
Após dois anos nessas condições, em de 1919, aos dezesseis, volta para a vila natal de sua mãe. Saeki Fumikazu, o pai de Kaneko Fumiko, aparece com uma proposta de casamento entre a autora e seu tio, Kaneko Motoei (no registro de nascimento: irmão mais velho da autora), irmão mais novo de sua mãe. No mesmo ano a autora vai morar com seu pai e sua tia, Takano, em Hamamatsu.
No ano seguinte, após desavenças com seu pai acerca de seus estudos e da própria proposta de casamento ter sido desfeita, a autora vai para Tóquio almejando estudar. Morou por cerca de um mês na casa de seu tio-avô materno, mas logo depois passou a morar e trabalhar numa loja de jornais enquanto estudava inglês pela manhã e matemática pela tarde. Após isto, começou a vender sabão para o Exército da Salvação, uma entidade cristã, e nesse período também teve contato direto com o cristianismo.
Em 1921, aos dezoito anos, começou a trabalhar para uma gráfica comunista, mas em pouco mais de um mês saiu deste trabalho e foi, por intermédio de alguns conhecidos que fez na escola, trabalhar como garçonete no restaurante Iwazaki Oden, também conhecido como Shakaishugi Oden (Oden Comunista). Como o trabalho era matutino, passou as aulas de inglês para o período da noite. Foi nas aulas de inglês em que conheceu Niiyama Hatsuyo, a responsável por introduzir as ideias dos pensadores niilistas à autora.
Aos dezenove anos, em 1922, conheceu Pak Yeol (1902-1974) com quem passou a viver junto pouco tempo depois. Durante este ano os dois inauguraram duas revistas revolucionárias conquanto a linguagem seja autoproclamada “moderada”, a Kuronami e a Futoi senjin. A Kuronami foi descontinuada após a segunda edição quando a associação com a qual estava ligada se dissipou e a Futoi senjin, após a segunda edição, foi renomeada para Genshakai no ano de 1923, quando lançou sua terceira edição. Ainda neste ano, os dois fundaram a associação revolucionária Futeisha, que contava com onze membros em sua inauguração. A associação participou ativamente de diversas manifestações e estava sendo vigiada pela polícia do estado japonês. Kaneko chegou a ser levada em custódia em decorrência das manifestações do Dia Internacional do Trabalho. A quarta edição de Genshakai saiu em junho desse mesmo ano.
No dia primeiro de setembro de 1923 aconteceu o Grande Sismo de Kantô. A confusão generalizada foi palco para um massacre de coreanos residentes no Japão por policiais e por civis japoneses. Tirando proveito do caos generalizado, muitos revolucionários da esquerda radical japonesa também foram assassinados por forças estatais, como foi o caso de Ôsugi Sakae (1885-1923) e Itô Noe (1895-1923), dois dos mais influentes anarquistas da época, e tantos outros foram presos. Kaneko e Pak foram detidos e levados sob custódia no terceiro dia desse mesmo mês sob a acusação de terem violado a Lei de Segurança Policial.
No ano seguinte, Kaneko e Pak, já encarcerados, foram acusados de porte ilegal de bombas. O julgamento seguiu até 1925 quando passou a ser tratado como Crime de Inconfidência. No dia 23 de março Kaneko e Pak se registram legalmente como casados. Dois dias depois, no dia 25 do mesmo mês, ambos são declarados culpado pelo Crime de Inconfidência e são condenados à morte. No dia cinco de abril Kaneko e Pak recebem a comutação da pena capital em prisão perpétua. Kaneko é então transferida para a prisão de Utsunomiya e no dia 23 de julho do ano de 1926 é encontrada morta em sua cela.
Durante seu julgamento, Kaneko teria escrito sua autobiografia de acordo com a sugestão do juiz de seu caso que alegara que o material poderia ser usado como uma evidência a seu favor. Durante o cárcere, além desta autobiografia, escreveu diversos poemas em estilo tanka que, postumamente, foram agrupados em uma coletânea denominada Gokusô ni omou (Pensamentos na janela da prisão) que, mais tarde, passou a fazer parte da coletânea completa de poemas da autora que passou a ser denominada Gokuchû kashû (Antologia de poemas do cárcere).
A autobiografia Nani ga watashi wo kousasetaka é largamente valorizada como uma “lufada excepcional de resistência imbuída em uma representação multifacetada das opressões na colônia [japonesa]” (Akiyama, 2006: 194). Kaneko, assim, foi comumente lida como, antes de tudo, uma personagem que exala resistência.
Já a coletânea de poemas, Gokuchû kashû, muito menos conhecida do que sua autobiografia, carrega um aprofundamento sensível em questões pouco trabalhadas no texto em prosa da autobiografia, o que revela novas possibilidades subjetivas da autora.
Referências
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Raddeker, Hélène Bowen. (1997). Treacherous women of imperial Japan: Patriarchal fictions, patricidal fantasies. Routledge (edição digital publicada pela Taylor and Francis e-Library, 2005).
Setouchi, Jakuchô (Harumi). (1975). Yohaku no haru. Chôôkôronsha.
Suzuki, Yûko (Org.). (2013). Kaneko Fumiko watashi wa watashi jishin wo ikiru: Shuki, chôsho, uta, nenpu. Nashinokisha.
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Taira, Koji. (1971). Education and Literacy in Meiji Japan: An Interpretation. Explorations in Economic History, 8(4), 371-394.
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Yamada, Shôji. (1996). Kaneko Fumiko: jiko; tennôsei kokka; chôsenjin. Kageshobô.